12 discos de Sonny Rollins

 

Bags Groove ou Miles Davis with Sonny Rollins
(Miles Davis CD)

Sonny Rollins tinha 24 anos e já se tinha feito notar quando toca com Miles e Thelonious Monk, mas naquela sessão (do Miles Davis Quintet) Sonny Rollins apresenta pela primeira vez três composições que fariam história: «Oleo», «Doxy» e «Airegin»; tornadas standards do Jazz tocadas e repetidas e tocadas e repetidas; e o som cheio de Sonny Rollins deu-lhes vida.

A música e a gravação de «Miles Davis with Sonny Rollins» e o lado 2 de «Bags Groove» são as mesmas, com um tema a mais no primeiro disco. CD 1954


Thelonious Monk and Sonny Rollins
(Thelonious Monk CD)

Trata-se de uma compilação de temas já editados em «Work!» e «The Genius of Thelonious Monk», gravações de 53 e 54, que têm em comum (obviamente) Rollins e Monk (e podem sempre optar pelos outros discos…).

Apesar da falta de homogeneidade das gravações, nós iremos ficar a ouvir Monk e Rollins uma e outra vez e sempre, não é?
CD 1957


Sonny Rollins plus 4, Clifford Brown and Max Roach at Basin Street e Max Roach +4

Não é fácil escolher entre os discos de Rollins com Max Roach. Os dois primeiros têm a mesma formaçao: Clifford Brown (t), Max Roach (bat), Richie Powell (p), George Morrow (ctb); sendo que no terceiro Brown e Powell foram substituídos por Kenny Dorham e Ray Bryant. O que se passou, a história é tristemente célebre, é que o trompetista e o pianista (Brown e Powell) sofreram um acidente em Junho de 1956, tendo falecido com 25 e 24 anos, e a comoção percorreu toda a comunidade. "At Basin Street" foi o último disco gravado por Brown e Roach.

Diria que a diferença entre os três discos revela-se na direcção: Claramente Sonny Rollins está na direcção do seu disco, com dois temas dele, dançantes; o disco mais enérgico será «At Basin Street», mais hard bop, com Brown e Roach nos comandos; e mais cerebral o disco de Roach, com arranjos de George Russell (em «Ezz-thetic»), Ray Bryant nos restantes, assim está creditado, mas o conceito de head arrangement percorre todo o disco, confirmando o génio de Roach e não apenas como baterista.

Três discos fundamentais. A música escorre voluptuosa e doce, impetuosa e natural. Como água.

Sonny Rollins plus 4, CD 1956
Clifford Brown and Max Roach at Basin Street, CD 1956
Max Roach +4, CD 1956


Saxophone Colossus

Sonny Rollins ganhou o epíteto do «colosso» depois deste disco e ele nunca coube tão bem a ninguém. Rollins estreia-se no calipso, eternizando «St. Thomas» e o saxofone dança em «Moritat» («Mack the Knife).

Com Tommy Flanagan (p), Doug Watkins (ctb) e Max Roach (bat). 1957.


Way Out West

O álbum onde Rollins se estreia em trio, sem piano, sem instrumento harmónico, sem rede, uma ousadia impensável que só o colosso do saxofone podia ganhar.
Recordado como o álbum da capa do «cowboy» este disco colocou definitavamente Sonny Rollins no patamar dos maiores saxofonistas de sempre.

Com Ray Brown (ctb) e Shelly Manne (bat). Edição de 1957.

Eu escrevi sobre uma edição recente, de 2022, que dá pelo nome de «Go West! The Contemporary Records Albums», e que reúne a integral do disco original «Way Out West», com «Sonny Rollins and the Contemporary Leaders» (1958) , e ainda inéditos.

Ora se quiserem fazer o obséquio, está AQUI. É uma excelente alternativa.


A Night at the Village Vanguard

Diz-se que Rolins não estava cntente e da tarde para a noite, o saxofonista substituiu a banda, Donald Bailey (ctb) e Pete LaRoca (bat) por Wilbur Ware (ctb) e Elvin Jones (bat). Pura energia! Intenso até mesmo nas baladas. Uma referência maior do hard bop.

A versão 2CD acrescenta mais de uma hora ao álbum LP. 1958.


Freedom Suite

Enérgico como nunca, Rollins uma vez mais em trio com Oscar Pettiford (ctb) e Max Roach (bat). O disco abre com um longo «The Freedom Suite» escrito por si.

O mais político dos discos de Rollins, a antecipar em dois anos a «Freedom Now Suite« de Max Roach. 1958.


The Bridge

Regresso de Sonny Rolins depois de um afastamento voluntário, num grande disco, exuberante e caloroso.

Estreando Jim Hall (g), Bob Cranshaw (ctb), Ben Riley ou Harry "H.T." Saunders (bat). 1962.


G-Man

Em 1986 Sonny Rolllins rodeava-se de jovens, e até trouxe um baixo eléctrico para banda, mas não fez concessões na energia ou na exuberância do saxofone. O calypso em «Don’t Stop the Carnival».

Com Clifton Anderson (trb), Mark Soskin (p), Bob Cranshaw (b-el), Marvin "Smitty" Smith (bat).


This Is What I Do

Álbum descontraído, música pelo prazer de tocar, sem concessões, eu diria.

Com Clifton Anderson (trb), Stephen Scott (p), Bob Cranshaw (b-el), Jack DeJohnette (bat) ou Perry Wilson (bat). Gravado em 2000.


Road Shows, Vol. 2

Concerto de aniversário dos 80 anos de Sonny Rollins no Beacon Theatre de Nova York em 2010, o saxofonista encontra Roy Haynes, Christian McBride e Ornette Coleman. Álbum de 2011.


Tattoo You
(Rolling Stones CD)

Nem todos vimos a ser o que queremos ser quando somos crianças. Charlie Watts, por exemplo, queria ser baterista de Jazz, mas em vez disso foi o baterista dos Rolling Stones. Mas nunca deixou de gostar de Jazz. Tanto que em 1980 convenceu a banda a convidar Sonny Rollins para o disco que estava a ser gravado, «Tattoo You».

Algo relutante, dizem as más línguas, mas bem pago, parece, o saxofonista acedeu contribuir para três temas com solos que gravou em overdub, e nunca chegou a encontrar a banda, tendo o seu nome sido mantido em segredo. O sucesso da experiência foi tal que os Stones o convidaram para a tournée, que Rollins declinou.

Os temas em que toca são: «Waiting on a Friend», «Slave» e «Neighbours». 1981.